Apesar de ter sido polémico na altura, sempre afirmei que o Gamepass nunca traria nada de bom ao mercado dos videojogos. Custe é a perceber que se tenha demorado este tempo todo a reconhecer o que só agora alguns estão a conseguir ver.
Ao contrário do que a MIcrosoft sempre deu a entender, o Game Pass não beneficia os estúdios da maneira que foi prometido. Foi prometido que colocar seus jogos no Game Pass levaria a um aumento nas vendas por meio de maior exposição, mas a realidade é que isso não funcionou como esperado.
Apesar de que alguns criadores até observaram um pico inicial na visibilidade, esta não se traduziu no tipo de crescimento de vendas a longo prazo que a Microsoft vendeu e os fez acreditar.
A realidade é que os jogadores envolvem-se com um jogo, mas dada a disponibilidade de outros, rapidamente passam para outro, ao mesmo tempo que deixam o fluxo de receita tradicional estagnado.
Apesar de pessoalmente já ter visto e alertado sobre o assunto à anos, aparentemente só agora, com as consequências em cima é que para alguns as cousas se estão a tornar claras.
Basicamente, a menos que a Microsoft pague fortemente para um jogo aderir, não há reais motivos se para lançar um jogo na plataforma, especialmente agora que os pagamentos diminuíram drasticamente desde que a Microsoft procedeu às ultimas aquisições de estúdios.
Assim o que temos é:
- Incerteza de receita : os criadores geralmente dependem de vendas iniciais para obter o que chamam de receita previsível. O Game Pass muda esse modelo para um pagamento baseado em assinaturas, que pode ser inconsistente e vinculado a métricas de engajamento em vez de compras reais de jogos. Isso leva a uma incerteza financeira para os estúdios, especialmente os criadores independentes.
- Desvalorização de jogos : com tantos títulos disponíveis por uma mensalidade baixa, o valor percebido de jogos individuais pagos a preço inteiro diminui. Os consumidores podem ficar menos dispostos a pagar o preço integral por jogos fora da assinatura, criando uma “corrida para o fundo” nos preços.
- Expectativas insustentáveis : o Game Pass promove uma cultura em que os jogadores esperam aceder a uma grande biblioteca de jogos de alta qualidade a um custo mínimo. Isso coloca pressão sobre os desenvolvedores para reduzir os preços ou aderir ao serviço de assinatura, geralmente em termos desfavoráveis.
- Falta de vendas a longo prazo : os títulos no Game Pass podem experimentar um aumento no engajamento na fase de lançamento, a consequência é que posteriormente sofrem com vendas reduzidas a longo prazo conforme os jogadores migram para títulos mais recentes dentro da assinatura. Isso afeta os estúdios que dependem de uma renda estável para poderem avançar para um próximo título.
- Os criadores indie lutam para sobreviver : embora a exposição no Game Pass possa aumentar a visibilidade, muitos criadores indie relatam que a receita da plataforma não compensa a perda de vendas tradicionais. Além disso, pode ser desafiador para jogos menores se destacarem perante uma biblioteca tão vasta.
Estes problemas, e ainda alguns outros dos quais, surpreendentemente, ainda não se fala, eram todos eles fáceis de se perceberem que iriam existir. Mas tarde ou cedo, a realidade é que eles aí estão, e mostram como o Gamepass se torna um cancro para a indústria. Um serviço de subscrição sim, mas não um que concorra com os novos lançamentos, algo que a Sony percepcionou com o seu serviço concorrente na PSN.
Naturalmente que se consegue perceber que o cliente queira muito por pouco. O ideal até era muito por nada! Mas bastam dois neurónios para se perceber que tudo isto tem consequências, e que o mercado desta forma nunca poderá ser o mesmo.
Parece LA
Não ganhas queima tudo à tua volta.
Nada vai ser igual
Ps: Mário como se está a portar o teu Honor Magic 6 pro agora com mais meses? Vi a 999,00 e estou a ponderar a compra. Obrigado
Uma questão é que o gamepass estacionou nos 35 milhões de assinaturas e a política atual da MS de ser multiplataforma coloca o serviço sem qualquer perspectiva de crescimento futuro, isto pode significar que em um prazo médio podem acontecer grandes mudanças no gamepass e algumas podem ser desanimadoras.
[OPINIÃO] Júlio, não acredito que ser multi faça muita diferença para o Gamepass ou isso seja o grande impecílio para o crescimento do mesmo. Aliás, vejo a Xbox tornando-se multi, mais pela estagnação do serviço, do que como causa para isso. A MS calculou errado, e achou que CoD lá, seria o suficiente para mudar o fluxo das coisas, e confesso que, por um momento, eu também acreditei nisso. Hoje, pelo que percebo, talvez por acomodação da grande maioria dos gamers, parece que CoD precisa mais da PS que o contrário. Lógico, talvez fosse diferente com um CoD exclusivo para Xbox em começo de geração, mas agora com o fluxo desfavorecendo o console Xbox que resolveu acabar com exclusividades e apostar no serviço ao invés do console, num “ timming” que, pessoalmente, julgo errado, a coisa está difícil de voltar atrás, segundo o que me parece.
O previsto era que o COD aumentasse a base de utilizadores do Game pass em 2,5 a 4 milhões. É duvidoso que isso tenha acontecido pois se tivesse feito a Microsoft estaria a anunciar isso a toda a força.
Basicamente o impacto que o jogo teve no Game pass terá sido reduzido. Acredito que possa ter crescido, mas não ao ponto de justificar a perda imediata de receita.
Com as vendas na PS5 a representarem 82% do total de vendas, basicamente o que está a pagar salários e o investimento no novo cod é a PS5, e não a Xbox, pois as receitas vindas do Game pass aparecem diluídas no tempo, e pouco de cada vez dado que a mensalidade se distribui por muitos jogos.
Mas o relevante aqui é um dado extra. É que este novo COD no Game pass teve duas consequências. A primeira foi ter atirado as vendas da Xbox para baixo em 67%. Mas a segunda foi ter atirado as vendas da PS5 para cima, em 30%.
É dificil interpretar estes dados, mas uma possibilidade foi a migração de jogadores da Xbox para a PS5, e que sabemos ter existido devido a todas as políticas da Microsoft. Se associarmos isso ao facto que os grandes jogadores de COD jogam o jogo o ano todo, e é nele e quase só nele que perdem tempo, pagar mensalmente não compensa.
O certo aqui é que o COD no Game pass não teve o impacto que se esperava, e a PS5 não saiu prejudicada.
Embora o serviço da Sony seja menos nocivo, ainda assim ele é nocivo, pois briga com novos lançamentos pelo tempo do jogador, e cria expectativa de que após alguns meses o jogo poderá estar no serviço e que não vale a compra, mesmo com os primeiros descontos alferidos.
Na minha modesta opinião, nos serviços de games como catálogo de acesso, o menos danoso seria o de um calálogo de jogos de uma geração passada, como títulos no mínimo uns 3 anos de lançados, e ainda assim, brigaria pelo tempo de jogo dos gamers podendo-o manter saciado e sem interesse por novos jogos que precisariam ser comprados pra jogar, mas entendo que é um cálculo difícil pra indústria que quer “destruir” com a concorrência, e ao mesmo tempo, aumentar seus lucros.
Basta ver o que o streaming fez com o cinema. Ao matar a indústria de DVD/BD, levou parte importante da receita de muitos filmes. Isso fez com que a indústria reduzisse o investimento e focasse apenas naquilo que é seguro.
Imagina só acreditar que colocar um jogo inteiro num serviço de assinatura que vive em promoção vai beneficiar vendas. Só sendo muito burro mesmo! Se fosse um teste de 1 hora e meia, aí sim com certeza beneficia, mas o jogo inteiro…